ENCONTRO ANUAL AGN 2017

A realizar-se a em Lisboa, Centro Cultural de Belém

O CCB recebeu no passado dia 22 de novembro de 2017 o encontro anual da AGN, onde se olhou o presente e discutiu o futuro do setor do gás natural. Foram abordados os desafios de maior relevo, como o imperativo do reforço e criação de novas utilizações do gás natural, a importância do surgimento de um verdadeiro Mercado Ibérico do Gás (Mibgás) e a necessidade da criação de condições para que Portugal seja relevante neste. Nas novas utilizações do gás natural, o abastecimento marítimo por gás natural liquefeito assume um papel de destaque, revelando uma mudança de paradigma no fornecimento de combustíveis.

Num mercado onde se verifica a transformação da matriz energética mundial, o valor do gás natural no futuro do mix energético foi peremptório: “O Gás Natural vai ser relevante no mix energético mundial nos próximos 25 a 30 anos.”, afirmou Pedro Ricardo, Presidente da AGN, na sessão de abertura, afirmando o valor deste recurso como complemento e apoio no momento de transição que se verifica.

A ERSE marcou presença neste encontro, através da sua Presidente, Maria Cristina Portugal, abordando os desafios do mercado da energia e fazendo notar a relevância da sustentabilidade no conjunto de novas preocupações e comportamentos dos consumidores. O consumidor retomou o papel principal na transição energética, não podendo ser esquecido que a energia não é um fim, mas um meio. Num setor energético com complexidade crescente, a ERSE terá que fortalecer o seu papel, assegurando o aumento do nível de literacia energética e uma maior transparência que defenda a competitividade e a qualidade dos serviços. “3 dos pontos imperativos para a sustentabilidade do setor são a ponderação, a eficiência e a competitividade do gás natural enquanto fonte de energia alternativa e complementar.”, referiu a Presidente da ERSE.

A matriz energética do futuro foi o tema da mesa redonda composta pelo Administrador da REN, João Conceição, a Secretária Geral da SEDIGAS, Marta Margarit e o Presidente da MIBGAS, António Erias Rey. “É utópico pensar que o consumo elétrico vai ser fornecido na sua totalidade por fontes renováveis…” afirmou João Conceição, numa clara aposta no gás natural como a alternativa complementar de maior relevo. Como pontos de melhoria foram  identificados o funcionamento do MIBGAS e a ponderação necessária no processo de eliminação do Pancaking.
O gás natural vai estar presente em 3 pontos fundamentais: Consumo Industrial; complemento ás renováveis para o crescente consumo de eletricidade e as novas utilizações, nas quais se destacou novamente, o recente passo dado no abastecimento marítimo.

“Estamos num momento de transição que ainda vai durar mais algumas décadas e onde o gás vai ter um papel fundamental.”, afirmou Marta Margarit, enquanto António Erias Rey confirmou que o futuro terá as mãos dadas com o desenvolvimento sustentável e embora não seja possível ter uma definição absolutamente clara de que modelos e formatos este vai assumir, o gás natural estará presente enquanto agente de grande importância.

O panorama legislativo da Energia foi o tema abordado pelo Dr. Francisco Paes Marques e pelo Dr. João Rosado Correia, com a apresentação de um resumo do regime jurídico do gás natural em Portugal, mostrando que este resulta do modelo da União Europeia e suas diretivas assentes na separação jurídica das atividades, do acesso de terceiros ás redes e da regulação independente. Foi também comentada a visão do que poderão ser os próximos desafios da energia na perspectiva de um advogado e a forma como ambas as partes irão colaborar entre si, realçando que esta relação será fortemente influenciada pela tecnologia e pelas ferramentas que esta colocará ao dispor dos intervenientes.

Inovação e sustentabilidade foi o tema da mesa redonda que contou com a presença de António Pires, Vice-Presidente CA CARRIS, Jorge Zickermann de Lancastre, Diretor da GNF e Vasco Gomes, Diretor da ENDESA.
António Pires abordou a mobilidade sustentável e a forma como a Carris está a trabalhar para dar resposta a este desafio, reforçando a utilização do transporte público, promovendo a mobilidade partilhada e aumentando os níveis de conforto, fiabilidade e facilidade de utilização dos serviços da Carris.

A aposta passa também pelo aumento da frota de autocarros de gás natural, passando dos atuais 40, para 165.
O Gás Natural Liquefeito (GNL) como combustível marítimo é uma realidade recente, mas com segurança futura, mostrou Jorge Zickermann de Lancastre. Perante a necessidade de adaptação de novos incentivos e as alterações, atuais e futuras, das molduras legais que regem o setor energético, a alternativa é o uso do GNL, por oposição a combustíveis mais caros e que necessitam de outros processos de tratamento.

Dada a inovação que os motores de propulsão marítima já evidenciam, o consumo de GNL é possível, com evidentes benefícios em termos de emissões de carbono e outras substâncias, assim como na diminuição dos custos associados ao consumo de combustível.

O GNL é assim uma certeza enquanto combustível marítimo.