Estudo britânico desvaloriza riscos de técnica polémica para extracção de gás

A extracção de gás natural através da destruição de rochas profundas tem poucas probabilidades de causar sismos ou contaminar a água, mas deve ser fortemente monitorizada, diz um relatório divulgado por cientistas e engenheiros britânicos.

A pedido do consultor científico do Governo, a Royal Society – a principal associação científica do Reino Unido – e a Academia Real de Engenharia avaliaram os riscos da exploração do gás xistoso – uma forma não convencional de gás existente em formações rochosas profundas – na sequência de pequenos sismos que ocorreram em Blackpool, no ano passado.

A extracção deste gás é feita através de uma técnica conhecida como “fracking”, que consiste em quebrar a rocha através da injecção de água, areia e químicos sob alta pressão. Largamente utilizada nos Estados Unidos, a técnica tem levantado preocupações quanto à contaminação de aquíferos subterrâneos, desestabilização dos solos e libertação de gases com efeito de estufa.

O relatório agora divulgado conclui, no entanto, que a contaminação da água no Reino Unido é improvável, “desde que a extracção de gás xistoso ocorra a profundidades de centenas de metros ou quilómetros”.

Também os riscos de terramotos são “baixos”, inferiores à sismicidade natural do país ou àquela que é induzida pela exploração de carvão.

O relatório refere que o principal problema potencial da extracção de gás xistoso está na integridade dos poços em si. Ou seja, uma ruptura num poço de exploração pode causar muito mais danos do que a técnica de “fracking” em si.

As duas organizações sugerem uma “monitorização robusta” das operações e a realização de avaliações de impacte ambiental para todos os projectos.

A exploração de gás xistoso tem avançado sobretudo nos Estados Unidos, onde esta forma não convencional de combustível fóssil já representa um quarto do mercado de gás natural do país.
 

Ricardo Garcia - Jornal Público

20 julho 2012