Esquentador a gás natural
Um esquentador a gás natural mede-se em litros por minuto, e esses litros são de água, não de gás. Um aparelho de 11 L/min entrega cerca de 19 kW de calor à água com uma subida de temperatura de 25 °C, e 19 kW a 11,2 kWh/m³ correspondem a cerca de 1,696 m³/h de gás enquanto a torneira está aberta. Os litros dizem o caudal, os kW dizem a potência, os m³/h dizem o que o contador regista.
O que significam os litros por minuto
Os litros por minuto de um esquentador indicam quanta água ele consegue aquecer por minuto para uma subida de temperatura de referência, habitualmente 25 °C. Não indicam capacidade de armazenamento, porque um esquentador não armazena nada: aquece no instante em que a água passa. Um 11 L não guarda 11 litros quentes, entrega 11 litros por minuto enquanto arder.
A subida de temperatura é a parte que quase nunca aparece na caixa e explica a queixa mais comum do inverno. Tomando como exemplo água de rede a 15 °C, uma subida de 25 °C dá 40 °C na torneira; com a mesma água a 10 °C, também a título de exemplo, o mesmo aparelho ao mesmo caudal entrega 35 °C, ou reduz o caudal para voltar aos 40 °C. O aparelho não avariou; a temperatura de entrada mudou.
A tabela de litros, kW e m³/h
| Caudal | Potência a 25 °C de subida | Gás a plena carga | Energia por hora |
|---|---|---|---|
| 10 L/min | 17 kW | 1,518 m³/h | 17 kWh |
| 11 L/min | 19 kW | 1,696 m³/h | 19 kWh |
| 12 L/min | 21 kW | 1,875 m³/h | 21 kWh |
| 13 L/min | 23 kW | 2,054 m³/h | 23 kWh |
| 14 L/min | 24 kW | 2,143 m³/h | 24 kWh |
| 17 L/min | 30 kW | 2,679 m³/h | 30 kWh |
A conta por trás da coluna do meio é definicional. Aquecer 1 litro de água em 1 °C consome 1 kcal, e 1 kcal são 0,00116222 kWh, pelo que cada litro por minuto e cada grau de subida pedem 0,0697 kW. A 25 °C de subida, isso dá 1,743 kW por litro por minuto, e é daí que saem os 19 kW de um aparelho de 11 L. A terceira coluna é apenas essa potência dividida por 11,2 kWh/m³, tal como em Quanto gás consome cada aparelho.
Estes valores são o calor entregue à água. O gás realmente consumido é ligeiramente superior, na proporção do rendimento do aparelho, que varia com o modelo, a idade e a regulação e que este manual não fixa num número. A tabela é, por isso, um piso de consumo e não uma medição.
Atmosférico, ventilado e estanque
Atmosférico, ventilado e estanque descrevem por onde entra o ar de combustão e por onde saem os gases queimados, e não a quantidade de gás consumida. Um atmosférico tira o ar da divisão onde está instalado e evacua por tiragem natural, o que exige uma casa de banho ou cozinha com ventilação permanente e uma conduta bem dimensionada. Um ventilado acrescenta um ventilador que força a saída dos gases, o que permite condutas mais longas e menos dependentes da tiragem. Um estanque, além do ventilador, tem o circuito de combustão isolado da divisão: vai buscar o ar ao exterior e devolve os gases ao exterior pela mesma conduta concêntrica.
Este é o erro mais comum sobre esquentadores: acreditar que um ventilado gasta menos gás do que um atmosférico. À mesma potência e ao mesmo rendimento, gasta exatamente o mesmo, e o ventilador acrescenta um pequeno consumo elétrico. O que muda é a segurança e a liberdade de instalação, porque o estanque não consome o ar da divisão nem depende da ventilação do compartimento. É uma diferença de instalação, não de fatura.
Gás natural ou butano no mesmo esquentador
Um esquentador a gás natural e um a butano são o mesmo aparelho com injetores diferentes e pressões de alimentação diferentes. A potência necessária não muda: 11 L/min a 25 °C de subida pedem cerca de 19 kW seja qual for o gás. O que muda é a unidade em que o combustível é vendido e contado.
| Combustível | Unidade de venda | Energia por unidade |
|---|---|---|
| Gás natural | m³ no contador | Cerca de 11,2 kWh/m³ faturados |
| Butano | kg em garrafa | 12,78 kWh/kg |
| Propano | kg em garrafa | 12,93 kWh/kg |
Alterar um esquentador de gás natural para butano, ou o contrário, é trabalho de técnico habilitado: envolve trocar o conjunto de injetores e reajustar a pressão e a combustão. Um aparelho alimentado com o gás errado queima mal, e isso é um problema de segurança antes de ser um problema de consumo.
Quanto gás gasta um duche
Um duche de 10 minutos a 10 L/min usa 100 litros de água. Com uma subida de 25 °C, isso são 2 500 kcal, ou 2,9 kWh, o que a 11,2 kWh/m³ dá cerca de 0,26 m³ de gás. A 0,0522 €/kWh, que é um preço de exemplo e não uma tarifa publicada, esse duche custaria cerca de 0,15 € de energia, antes de termos fixos, impostos e IVA.
Multiplicado por dois duches diários ao longo de 30 dias, dá 174 kWh e cerca de 15,6 m³, ou seja, uma fração modesta do exemplo de 84 m³ que este manual usa em Ler uma fatura de gás natural. Quando um consumo dispara muito acima disto, a causa está normalmente no aquecimento central e não nas águas quentes.
Instalação e o aparelho que não acende
A instalação de um esquentador não é livre: exige uma conduta de evacuação adequada ao tipo de aparelho, ventilação conforme o modelo, e ligação por técnico habilitado, e a instalação de gás fica sujeita a inspeção periódica, a primeira aos 10 anos e depois de 5 em 5 anos numa habitação.
Quando um esquentador a gás natural não acende, quatro causas cobrem a maioria dos casos.
- Verificar se a torneira de corte do aparelho e a da instalação estão abertas.
- Verificar se há caudal de água suficiente, porque estes aparelhos só acendem acima de um caudal mínimo.
- Verificar as pilhas ou a alimentação elétrica, conforme o sistema de ignição.
- Verificar se a conduta ou a ventilação estão obstruídas, o que faz o aparelho bloquear por segurança.
Se houver cheiro a gás, nenhuma dessas verificações se faz: fecha-se a torneira, ventila-se, não se acionam interruptores e sai-se para telefonar. Fora esse caso, o assunto termina numa unidade só. O aparelho escolhe-se em litros por minuto, a potência exprime-se em kW, mas o que o contador conta, e o que a fatura acaba por converter, são metros cúbicos por hora.