Quem vende gás natural em Portugal

No segundo trimestre de 2026 a ERSE contou 14 comercializadores com ofertas de gás natural no mercado livre em Portugal. A esses somavam-se 8 com ofertas duais de eletricidade e gás. O comercializador é a empresa que vende o gás e emite a fatura, e é a única peça do sistema que o cliente pode trocar; o distribuidor é o operador da rede da rua e vem com a morada.

Diagrama: Quem vende gás natural em Portugal

Boa parte das perguntas sobre empresas de gás natural em Portugal nasce dessa diferença. Quem procura fornecedores encontra dois tipos de resposta, uma sobre empresas e outra sobre países de origem, e as duas são páginas diferentes deste sítio.

Quantos comercializadores há e onde está a lista

Os comercializadores com oferta de gás natural em mercado livre eram 14 no 2.º trimestre de 2026, segundo a contagem publicada pela ERSE no seu boletim de ofertas comerciais de gás natural, a que se somam 8 com tarifários duais de eletricidade e gás. A ERSE publica esse boletim trimestralmente, o que significa que a contagem é uma fotografia datada e não um número permanente: empresas entram, saem, fundem-se e mudam de nome.

Por essa razão, esta página não reproduz um listado de comercializadores como se fosse definitivo. A lista viva está no boletim e no simulador da própria ERSE, que compara as ofertas registadas para um consumo indicado pelo utilizador. Empresas como a Galp e a Goldenergy operam no mercado livre de gás natural, facto verificável e não uma sugestão de escolha. Este sítio não recomenda, não classifica e não ordena comercializadores, não recebe comissões de nenhum deles e não representa nenhuma empresa nem nenhuma associação do setor. A Associação Portuguesa das Empresas de Gás Natural é descrita, em terceira pessoa e a partir de fontes públicas, na página que lhe é dedicada.

Comercializador e distribuidor: quem faz o quê

Comercializador e distribuidor não são a mesma empresa, não têm o mesmo papel e não se contactam para os mesmos assuntos. O quadro seguinte separa os dois, com a terceira coluna a indicar a quem telefonar em cada caso.

AssuntoComercializadorDistribuidor
Emite a faturaSimNão
Escolhido pelo clienteSimNão, é atribuído pela morada
Define o preço da energiaSim, dentro do mercado livreNão
Opera a conduta e o contadorNãoSim
Faz a leitura e a manutenção da redeNãoSim
Atende uma emergência por cheiro a gásNãoSim, é a linha a usar
Cobra a tarifa de acesso às redesRepercute-a na faturaÉ quem a recebe
Muda quando se muda de tarifárioSimNão

A distinção tem uma consequência prática que poupa tempo: uma avaria, uma leitura por acertar ou um pedido de ligação nova resolvem-se sempre do lado do distribuidor, mesmo que a fatura tenha o nome de outra empresa. A página sobre onde chega a rede de gás natural identifica os distribuidores por área e explica como confirmar se uma rua tem conduta.

Fornecedores quer dizer duas coisas diferentes

A palavra fornecedores aparece em duas perguntas distintas. Quando se procura por principais fornecedores de gás natural em Portugal a intenção é quase sempre a lista de empresas que vendem ao cliente final, que são os comercializadores tratados acima. Quando se procura por países fornecedores, a pergunta é sobre a origem física do gás, e a resposta é outra: não há produção nacional em exploração, e em 2024 98% do abastecimento entrou pelo terminal de GNL de Sines e 2% pela interligação com Espanha. A repartição por países varia com as cargas que descarregam em Sines e não é publicada aqui, por não ter sido verificada para este texto.

O que muda, e o que não muda, ao trocar de comercializador

Ao trocar de comercializador nada muda fisicamente. Mantém-se a mesma conduta, o mesmo contador, o mesmo distribuidor, o mesmo escalão de consumo e a mesma tarifa de acesso às redes, que é fixada pela ERSE e é igual para todos os vendedores. Não há corte de fornecimento, não há obra e não há troca de equipamento. O que muda são as condições comerciais: o termo fixo, o termo de energia, a duração do contrato, a indexação e eventuais descontos condicionados a débito direto ou fatura eletrónica.

Também não muda a natureza do produto. O gás entregue é o da rede nacional, com o mesmo poder calorífico superior publicado para o período, entre 11,8 e 12,0 kWh/m³(n), independentemente do nome que consta na fatura.

Como comparar duas ofertas sem se enganar

O erro comum ao comparar comercializadores é olhar só para o preço do quilowatt-hora e ignorar o termo fixo, que se paga todos os dias mesmo com consumo zero. Num consumo baixo, o termo fixo pode pesar mais do que a energia; num consumo alto, o inverso. A comparação honesta faz-se em três passos:

  • Some o consumo anual em kWh, lido nas faturas dos últimos 12 meses.
  • Multiplique esse consumo pelo termo de energia de cada oferta.
  • Adicione o termo fixo multiplicado por 365 dias, antes de comparar os totais.

Um exemplo aritmético, com valores que são exemplo e não tarifa publicada: 940,8 kWh por ano a 0,0522 euros/kWh, que é um preço de exemplo e não uma tarifa publicada, dão 49,11 euros de energia, aos quais um termo fixo de exemplo de 0,15 euros por dia acrescenta 54,75 euros no ano. Neste caso o termo fixo custa mais do que o gás consumido, o que ilustra por que razão comparar apenas o preço do kWh engana. A decomposição completa está na página sobre quanto custa o gás natural em Portugal.

A unidade em que se compara: kWh por ano

A comparação entre comercializadores faz-se em quilowatt-hora por ano, porque é essa a unidade em que a energia é faturada. O contador, porém, mede metros cúbicos, e a passagem entre as duas é uma multiplicação pelo fator do seu distribuidor, que ronda 11,2 kWh/m³ e varia entre cerca de 11,19 e 11,54. Um consumo de 84 m³ dá 940,8 kWh a 11,2, como exemplo aritmético. Quem preferir ver o sistema inteiro antes de comparar encontra-o na página sobre o gás natural em Portugal.

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