Quanto custa a inspeção
A inspeção de gás natural não tem preço fixado por lei nem tarifa publicada: cada entidade reconhecida pela DGEG define o seu valor, e os números que circulam na internet são orçamentos comerciais de um inspetor, não um preço oficial. O que se pode dizer com rigor é o que faz esse valor subir ou descer, e são cinco fatores: o número de aparelhos ligados, o tipo de edifício, a dimensão da instalação, a deslocação e a necessidade de reinspeção.
Porque não existe um preço publicado para a inspeção
Não existe preço publicado porque a inspeção periódica não é um serviço regulado com tarifa, ao contrário do acesso às redes. O Decreto-Lei n.º 97/2017, alterado pela Lei n.º 59/2018, impõe a obrigação e define quem a pode executar, e deixa o valor à concorrência entre as entidades reconhecidas pela DGEG.
A consequência prática é que qualquer valor único apresentado como "o preço da inspeção de gás" está errado por construção. Pode ser o preço daquele inspetor, naquele concelho, naquele mês, para aquele tipo de instalação. Não é uma tarifa e não vincula ninguém. Por isso esta página não imprime um intervalo em euros: imprimi-lo daria a um orçamento a aparência de um facto.
Os cinco fatores que movem o preço da inspeção
Os fatores que movem o preço da inspeção são poucos e são sempre os mesmos, o que permite prever se um orçamento vai ficar no fundo ou no topo da escala antes sequer de o pedir.
| Fator | Como move o preço |
|---|---|
| Número de aparelhos ligados | sobe com cada aparelho verificado, porque uma cozinha com fogão, esquentador e caldeira de condensação dá mais trabalho do que uma cozinha só com fogão |
| Tipo de edifício | sobe do uso doméstico para o uso público, como restaurantes, hotéis, escolas e lares, onde a instalação é maior e a periodicidade é de 3 anos em vez de 5 |
| Dimensão e complexidade da instalação | sobe com o comprimento de tubagem, o número de troços, o número de contadores e a existência de coluna montante |
| Localização e deslocação | sobe fora dos grandes centros, onde há menos entidades reconhecidas e a deslocação pesa mais no orçamento |
| Reinspeção após anomalias | duplica na prática, porque a reinspeção é um ato novo e é cobrada como uma inspeção |
O erro mais comum: contar com uma reinspeção gratuita
O erro mais comum sobre o preço da inspeção é assumir que, se a instalação reprovar, a visita seguinte está incluída. Não está. A reinspeção é uma inspeção nova, com deslocação nova, ensaios novos e emissão de documento novo, e custa tipicamente o mesmo que a primeira. Quem orçamenta a obrigação contando com uma única visita orçamenta metade do risco.
Daqui sai uma regra prática: as anomalias óbvias corrigem-se antes de marcar a inspeção, não depois. Uma torneira de corte inacessível atrás de um armário, uma grelha de ventilação tapada, um tubo flexível fora de prazo e uma conduta de evacuação obstruída são causas frequentes de não conformidade e são baratas de resolver com antecedência. Corrigidas antes, poupam a segunda fatura inteira.
O que está incluído e o que não está
Está incluído no preço da inspeção o ato de inspecionar e o documento que dele resulta. Não está incluída nenhuma reparação, e essa é a fronteira que separa as duas faturas.
- Inclui a deslocação, o ensaio de estanquidade, a verificação da ventilação, da evacuação e das torneiras de corte, e a observação dos aparelhos.
- Inclui a emissão do certificado de inspeção ou do relatório de anomalias, o assunto da página "O certificado e quanto tempo vale".
- Exclui qualquer reparação, substituição de tubo flexível, desobstrução de conduta ou intervenção no aparelho.
- Exclui a manutenção da caldeira, que é um contrato separado com outro técnico e não satisfaz a obrigação legal.
- Exclui a reinspeção, cobrada à parte.
Também é preciso não confundir o preço da inspeção com o preço de uma instalação de gás canalizado nova. Ligar uma casa à rede envolve projeto, execução, ramal e declaração de conformidade do instalador, e é uma ordem de grandeza acima do custo de uma inspeção periódica.
Porque esta fatura não vem do comercializador
Esta fatura não vem do comercializador porque o comercializador vende energia e não inspeciona instalações. No segundo trimestre de 2026 a ERSE contava 14 comercializadores com ofertas de gás natural no mercado livre, e nenhum deles executa a inspeção por essa condição. A obrigação é do proprietário ou do utilizador da instalação e a execução pertence a entidades reconhecidas pela DGEG, como explica a página "A inspeção periódica de gás".
Na fatura do gás natural encontra outras coisas: o consumo convertido a cerca de 11,2 kWh/m³, o escalão anual, que vai de 0 a 220 m³ no escalão 1 e até 10 000 m³ no escalão 4, e o IVA, que é de 6% sobre o termo fixo do acesso às redes em baixa pressão até 10 000 m³ por ano e de 23% sobre o resto. Esse é o assunto da página "Quanto custa o gás natural em Portugal". A inspeção não aparece ali e não altera nenhum desses valores.
Como pedir orçamentos que se possam comparar
Pedir orçamentos comparáveis exige dar a todas as entidades exatamente a mesma informação, caso contrário está a comparar trabalhos diferentes.
- Peça o valor a pelo menos três entidades reconhecidas pela DGEG.
- Indique o tipo de edifício, doméstico ou de uso público, e a morada.
- Enumere os aparelhos ligados, um a um.
- Pergunte se a deslocação está incluída no valor indicado.
- Pergunte quanto custa a reinspeção e quanto tempo dá para corrigir anomalias.
- Confirme se o valor indicado já inclui IVA.
O que não se sabe
O que não se sabe, e não se pode saber a partir de fora, é quanto custa a sua inspeção. Não existe tarifa nacional, não existe tabela por concelho e não existe obrigação de publicar preços. Existe apenas uma unidade honesta: euros por inspeção, cobrados uma vez de 5 em 5 anos numa habitação e de 3 em 3 anos num edifício de uso público, e outra vez por cada reinspeção. Se uma anomalia grave levar ao corte do fornecimento, entra em cena outra questão, a de saber o que fazer perante um cheiro a gás em casa, e essa não se resolve com orçamentos.