Converter metros cúbicos em quilowatts-hora
Para converter m³ de gás natural em kWh, multiplique o volume consumido por 11,2. Um consumo de 84 m³ dá 84 × 11,2 = 940,8 kWh, e este exemplo é ilustrativo, calculado com o fator típico e não com o fator impresso numa fatura concreta.
A conversão de m³ para kWh existe porque o contador de gás natural mede volume e a fatura cobra energia. O contador não sabe quanta energia passou por ele: conta metros cúbicos e mais nada. A energia é obtida depois, por cálculo, e o número que faz esse trabalho é o fator de conversão.
Converter m³ em kWh em três passos
Para converter m³ em kWh a partir de uma fatura ou de um contador, siga esta ordem.
- Subtraia a leitura anterior da leitura atual do contador. O resultado, em m³, é o consumo do período. O índice que está no mostrador é um total acumulado e não serve para converter.
- Localize o fator de conversão na fatura, normalmente numa linha junto ao consumo, expressa em kWh/m³. Se não o encontrar, use 11,2 como valor de trabalho.
- Multiplique o consumo em m³ pelo fator. O resultado é a energia em kWh, que é a grandeza sobre a qual incide o preço variável.
A fórmula completa por trás desses três passos é Energia (kWh) = Volume (m³) × PCS × Fcv, em que o PCS é o poder calorífico superior do gás daquele mês e o Fcv é o fator de correção de volume do distribuidor. O produto dos dois é o fator de conversão, e a página Poder calorífico inferior e superior explica porque é o superior, e não o inferior, que entra nesta multiplicação.
Tabela de conversão de m³ para kWh
A tabela de conversão de m³ para kWh abaixo usa 11,2 na coluna de trabalho e mostra, nas colunas de fora, o que o mesmo volume daria nos dois extremos do fator realmente praticado em Portugal, 11,19 e 11,54.
| Volume (m³) | A 11,19 kWh/m³ | A 11,2 kWh/m³ | A 11,54 kWh/m³ |
|---|---|---|---|
| 1 | 11,19 kWh | 11,2 kWh | 11,54 kWh |
| 10 | 111,9 kWh | 112 kWh | 115,4 kWh |
| 50 | 559,5 kWh | 560 kWh | 577 kWh |
| 84 | 940 kWh | 940,8 kWh | 969 kWh |
| 100 | 1 119 kWh | 1 120 kWh | 1 154 kWh |
| 220 | 2 462 kWh | 2 464 kWh | 2 539 kWh |
| 500 | 5 595 kWh | 5 600 kWh | 5 770 kWh |
| 1 000 | 11 190 kWh | 11 200 kWh | 11 540 kWh |
Os valores de 220, 500 e 1 000 m³ não são arbitrários: são os tetos dos escalões domésticos 1, 2 e 3, atribuídos em m³ por ano a partir do consumo do ano anterior. Convertidos, dão 2 464 kWh, 5 600 kWh e 11 200 kWh, que é a forma de comparar um escalão com um consumo anunciado em energia.
De onde vem o 11,2
O valor 11,2 vem de uma multiplicação de dois números publicados. O poder calorífico superior do gás distribuído em Portugal situa-se entre 11,8 e 12,0 kWh/m³(n), com mediana próxima de 11,9, e o valor mensal é a média aritmética dos valores diários publicados pelo operador da rede de transporte. O fator de correção de volume é publicado por distribuidor: 0,947944 na Lisboagás, Setgás, Lusitaniagás, Medigás, Paxgás, Dianagás e Tagusgás, e 0,961288 na Duriensegás, Sonorgás, Beiragás e Portgás.
Nos extremos, 11,8 × 0,947944 = 11,19 e 12,0 × 0,961288 = 11,54. Todo o intervalo real cabe entre esses dois números, e 11,2 é o valor de trabalho deste sítio, praticamente coincidente com o extremo inferior da banda, pelo que uma conversão feita com ele tende a ficar ligeiramente por baixo da energia real. A página Conversão de unidades de gás natural reúne as restantes unidades, e a página Poder calorífico do gás natural apresenta o mesmo poder calorífico em MJ e em kcal para quem precisa dele fora do kWh.
O erro mais comum: converter o índice em vez do consumo
O erro mais comum ao converter m³ em kWh é multiplicar pelo fator o índice que aparece no mostrador do contador, em vez da diferença entre duas leituras. O mostrador mostra um total acumulado desde a instalação do equipamento, que pode ter 4 ou cinco algarismos e representar anos de consumo. Multiplicado por 11,2, esse total produz um valor de energia sem qualquer relação com o período faturado, e é a origem da maior parte dos casos em que alguém conclui que a fatura está inflacionada.
Há ainda duas variações do mesmo descuido. A primeira é incluir na leitura os algarismos decimais, normalmente sobre fundo vermelho ou separados por vírgula, que contam frações de metro cúbico e não metros cúbicos. A segunda é aplicar a um período o fator impresso noutro: como o poder calorífico é recalculado todos os meses, o fator de janeiro não converte corretamente o consumo de julho, e a diferença entre 11,19 e 11,54 chega a cerca de 3% sobre o mesmo volume.
Onde o valor exato importa, ele não se adivinha. O fator do seu período está impresso na fatura, o Fcv depende do distribuidor que serve a morada e o PCS depende do gás que entrou na rede naquele mês. Quando esses três elementos não estão à mão, 11,2 é a melhor aproximação disponível e deve ser tratada como aproximação.
Esta conversão termina em kWh, que é a unidade de energia sobre a qual assenta o preço variável do gás natural em Portugal. O volume em m³ é o ponto de partida, o fator é a operação, e o kWh é o resultado. Quem precisa do caminho inverso, de kWh para m³, divide pelo mesmo fator em vez de multiplicar.