Cheiro a gás em casa
Cheiro a gás em casa exige seis ações imediatas, por esta ordem: não mexer em nada elétrico, fechar a torneira de corte do gás, abrir portas e janelas, sair de casa com todas as pessoas que lá estiverem, ligar 112 já no exterior, e não voltar a entrar até um técnico declarar a instalação segura.
- Não acionar nada elétrico. Não acender nem apagar luzes, não ligar o exaustor, não usar a campainha, não ligar nem desligar eletrodomésticos, não usar o telemóvel dentro de casa e não acender qualquer chama, isqueiro ou fósforo.
- Fechar a torneira de corte geral do gás, se estiver acessível e se o caminho até ela for seguro. Fechar também a torneira do aparelho suspeito, se estiver à mão.
- Abrir portas e janelas em toda a casa, para ventilar de imediato.
- Sair de casa, levando consigo todas as pessoas e animais. Deixar a porta aberta atrás de si.
- Ligar 112 do exterior, longe do local, e ligar também para a linha de emergência do distribuidor de gás, cujo número está impresso na sua fatura.
- Não voltar a entrar, não repor a eletricidade e não reabrir o gás enquanto uma entidade competente não declarar a instalação segura.
Se o cheiro for forte, se o ouvir sibilar, ou se houver alguém com tonturas ou dores de cabeça, salte os passos 2 e 3 e saia imediatamente. Ventilar é útil, ficar dentro de casa a ventilar não é.
A que cheira uma fuga de gás
Uma fuga de gás cheira a ovos podres, ou a couve cozida, ou a esgoto adocicado. O gás natural não tem cheiro nenhum na origem: o cheiro é adicionado de propósito, com um odorizante, precisamente para que uma fuga seja detetada pelo nariz muito antes de se tornar perigosa. É por isso que o odor é desagradável e inconfundível, e é por isso que se percebe uma fuga pequena. O assunto está desenvolvido na página "O gás natural tem cheiro?".
O cheiro é o único aviso fiável que existe numa casa comum, e tem um limite importante: o monóxido de carbono, produzido por uma combustão incompleta num esquentador ou numa caldeira mal ventilada, não cheira absolutamente a nada. Dores de cabeça, náuseas e sonolência de vários ocupantes ao mesmo tempo, sem cheiro nenhum, apontam para monóxido de carbono e não para uma fuga, e a resposta é a mesma: sair e chamar ajuda.
Porque não se aciona nada elétrico durante uma fuga
Não se aciona nada elétrico porque uma faísca basta. O metano é inflamável no ar entre cerca de 4,4% e 16,4% em volume, intervalo habitualmente citado como 5% a 15% para o gás natural. Abaixo de 4,4% a mistura é pobre demais para arder, acima de 16,4% é rica demais. Entre esses dois valores, qualquer ignição serve, e o contacto elétrico de um interruptor, de uma campainha, de um termóstato ou do motor de um exaustor produz exatamente esse tipo de ignição.
A regra vale nos dois sentidos: ligar e desligar produzem faísca. Um exaustor que já esteja a funcionar deve ficar como está, sem lhe tocar. O mesmo se aplica ao telemóvel dentro de casa, e a razão pela qual a chamada se faz do exterior é apenas essa, não uma formalidade.
O gás natural sobe, o butano e o propano descem
O gás natural sobe e acumula-se junto ao teto, porque a sua densidade relativa ao ar é de cerca de 0,6. O propano, com densidade relativa de cerca de 1,45, e o butano descem e acumulam-se junto ao chão. Essa diferença muda o que se faz e onde se procura.
| Gás natural canalizado | Propano e butano em botija | |
|---|---|---|
| Densidade relativa ao ar | cerca de 0,6 | cerca de 1,45 no propano |
| Onde se acumula | junto ao teto e nos pontos altos | junto ao chão, em caves, poços e roupeiros baixos |
| Onde ventilar primeiro | janelas altas e claraboias | portas e aberturas ao nível do chão |
| Risco em piso enterrado | menor, porque o gás tende a subir | maior, porque o gás fica retido em baixo |
Num apartamento com gás natural, o gás sobe pela caixa de escada e pelas condutas, o que torna o cheiro num prédio um assunto do condomínio inteiro e não apenas da fração onde foi notado. Numa casa com botija de butano, o gás fica no chão da cozinha e não se dissipa por si.
Cheiros parecidos que não são uma fuga de gás
Vários cheiros são confundidos com gás e não o são. A distinção interessa depois de estar em segurança, nunca antes.
- Cheiro a esgoto na casa de banho ou na cozinha, quase sempre um sifão seco por falta de uso, que se resolve deitando água no ralo.
- Cheiro adocicado ao ligar o ar condicionado, normalmente humidade e biofilme na unidade interior, não gás natural, porque o fluido frigorigéneo desses equipamentos não é o gás da rede.
- Cheiro químico junto ao frigorífico, que pode ser isobutano do circuito de refrigeração, em quantidade muito pequena.
- Cheiro a queimado ao ligar o aquecimento pela primeira vez no ano, geralmente pó acumulado.
- Cheiro dentro do carro, que aponta para o escape ou para o sistema de combustível do veículo, não para a instalação da casa.
Um caso merece atenção especial: o cheiro que aparece só quando liga o fogão ou o esquentador e desaparece quando desliga. Isso não é um cheiro parecido, é um sinal de combustão incompleta ou de fuga no aparelho, e obriga a fechar a torneira desse aparelho e a chamar um técnico.
O erro mais comum: acender a luz para ver melhor
O erro mais comum numa fuga de gás é acender a luz ou ligar o exaustor. É um reflexo natural, ver melhor e arejar, e é exatamente a ação que fornece a faísca à mistura que está entre 4,4% e 16,4%. O segundo erro mais comum é procurar a fuga com uma chama. Se quiser localizar uma fuga suspeita numa união, faça-o depois, com o gás fechado, aplicando água com sabão e observando se formam bolhas, nunca com um isqueiro.
Depois da emergência
Passada a emergência, fica a instalação por verificar. Uma fuga é a manifestação visível de um problema de estanquidade, e é essa a primeira coisa que uma inspeção ensaia, como descreve a página "A inspeção periódica de gás". A obrigação legal é de 5 em 5 anos numa habitação e de 3 em 3 anos num edifício de uso público, e o documento que resulta dela é tratado na página "O certificado e quanto tempo vale", com o custo explicado na página "Quanto custa a inspeção".
A unidade que decide tudo nesta matéria é a percentagem de gás no ar: abaixo de 4,4% não arde, acima de 16,4% também não, e entre esses dois números é onde acontecem os acidentes. Sair de casa é a única forma segura de garantir que não está lá dentro quando a mistura atravessa esse intervalo.