Onde chega a rede de gás natural
A rede de gás natural em Portugal tem duas camadas: uma rede de transporte em alta pressão com 1 375 km, operada pela REN em concessão até 2046, e as redes de distribuição em média e baixa pressão, operadas por distribuidores regionais que percorrem as ruas e terminam no contador. A rede de transporte não serve casas; a rede de distribuição serve, e é a única que interessa a quem pergunta se a sua rua tem conduta.
Essa separação também responde à pergunta sobre onde existe gás natural canalizado em Portugal. Estar perto de um gasoduto de transporte não significa ter gás disponível na morada, porque o transporte não tem ramais para clientes domésticos.
A rede de transporte: 1 375 km em dois eixos
A rede de transporte, formalmente Rede Nacional de Transporte de Gás Natural, tem 1 375 km e assenta em dois eixos que desenham a forma do sistema. O eixo sul-norte parte do terminal de GNL de Sines e sobe até Valença do Minho. O eixo este-oeste parte de Campo Maior, na fronteira, e segue até às proximidades da Figueira da Foz. Estes dois eixos ligam as duas portas por onde o gás entra no país: em 2024, 98% do abastecimento entrou por Sines e 2% pela interligação com Espanha.
A REN é a concessionária desta rede até 2046 e é também o operador que publica os valores diários de poder calorífico superior a partir dos quais se calcula a média mensal usada na faturação. O transporte funciona a alta pressão, entrega em pontos de entrega às redes a jusante e a grandes consumidores industriais, e é regulado por regulamento próprio publicado pela ERSE, distinto do regulamento da rede de distribuição.
As redes de distribuição e quem as opera
As redes de distribuição recebem o gás da rede de transporte, baixam a pressão para média e baixa e levam-no até ao contador. Cada operador de rede de distribuição tem uma área geográfica própria e é atribuído pela morada. Não se contrata, não se escolhe e não muda quando o cliente muda de comercializador.
Os distribuidores com fator de correção de volume publicado repartem-se por dois valores, e o quadro seguinte serve também para saber qual o fator que se aplica na conversão de metros cúbicos para quilowatt-hora na sua área.
| Distribuidor | Fator de correção de volume (Fcv) |
|---|---|
| Lisboagás | 0,947944 |
| Setgás | 0,947944 |
| Lusitaniagás | 0,947944 |
| Medigás | 0,947944 |
| Paxgás | 0,947944 |
| Dianagás | 0,947944 |
| Tagusgás | 0,947944 |
| Duriensegás | 0,961288 |
| Sonorgás | 0,961288 |
| Beiragás | 0,961288 |
| Portgás | 0,961288 |
A cobertura não é uniforme no território e não existe um único mapa nacional que a esgote. Cada distribuidor publica a sua própria área concessionada, e é aí que a resposta sobre uma rua concreta se encontra.
Como saber se a sua rua tem conduta
Para saber se a sua rua tem conduta de gás natural, siga estes quatro passos, por ordem:
- Identifique o distribuidor da sua área, que aparece nomeado na fatura de qualquer vizinho já ligado, na rubrica de acesso às redes.
- Peça a esse distribuidor a verificação de disponibilidade para a morada exata, com número de porta, porque a conduta pode terminar a meio do arruamento.
- Peça o orçamento do ramal e da ligação, se houver conduta e o edifício não estiver ligado.
- Contrate depois o fornecimento com um comercializador, que é uma etapa separada e posterior à ligação física.
O preço de um ramal e de uma ligação não é uma tarifa publicada com valor único. Depende da distância à conduta, do tipo de arruamento, do número de frações do edifício e do trabalho de construção civil, pelo que esta página não imprime um valor em euros.
Transporte, distribuição e o erro comum
O erro comum sobre a rede é assumir que a proximidade a um gasoduto dá direito a ligação. Os 1 375 km de transporte atravessam concelhos inteiros sem ali servir uma única habitação, porque a alta pressão só entrega em pontos de entrega definidos, e o que serve moradas é a rede de distribuição em baixa pressão. Um segundo engano da mesma família é procurar o regulamento errado: quem quer regras de ligação, leitura e medição de um cliente doméstico precisa do regulamento da rede de distribuição, não do regulamento da rede de transporte.
Há ainda uma consequência prática de segurança. Se houver cheiro a gás numa casa ou num apartamento, a linha de emergência a contactar é a do distribuidor da área, não a do comercializador que emite a fatura, porque é o distribuidor quem opera a conduta e quem se desloca ao local. A localização e o uso do corte de gás estão tratados na página sobre onde está a torneira de corte.
A rede entrega m³, a fatura conta kWh
A rede entrega volume e o contador mede-o em metros cúbicos, mas a fatura é emitida em quilowatt-hora. A conversão usa o poder calorífico superior do gás entregue, entre 11,8 e 12,0 kWh/m³(n) com mediana à volta de 11,9, multiplicado pelo fator de correção de volume do seu distribuidor, 0,947944 ou 0,961288 conforme a linha do quadro acima. O resultado ronda 11,2 kWh/m³ e situa-se, nos extremos, entre cerca de 11,19 e 11,54.
Um exemplo aritmético: 84 m³ lidos no contador dão 940,8 kWh a 11,2 kWh/m³. O mesmo volume, com o outro fator de correção e um PCS mais alto, daria um número diferente, e por isso o valor a usar numa conta real é sempre o fator impresso na fatura desse período. Quem quiser continuar a partir daqui encontra o sistema completo na página sobre o gás natural em Portugal, a decomposição do preço na página sobre quanto custa o gás natural em Portugal e a distinção entre operadores e vendedores na página sobre quem vende gás natural em Portugal.
A unidade em que esta página termina é o metro cúbico: é isso que a rede entrega e é isso que o contador conta, antes de qualquer conversão.